Algumas palavras...

"O Céu é um grande livro, aberto, pelo amor de Deus, à inteligência do homem." Dr. Serge Raynaud de La Ferriè

segunda-feira, 21 de março de 2011

CICLO SOLAR DE 33 ANOS

 
Não apenas nos países cristãos, mas também em muitos outros países (como, por exemplo, a Turquia e o Irã), há uma crença segundo a qual os 33 anos de idade serão felizes ou desastrosos. Na França, tal como em outros países cristãos, essa crença tem como explicação o fato de Cristo ter morrido aos 33 anos de idade, o que influenciou fortemente a imaginação popular. Mas qual a explicação para os países islâmicos? Certamente a razão não é o fato de o templo de Salomão — do maior mágico dos muçulmanos - ter sido destruído ao final de 33 anos. Como ocorre com tantas outras coisas, a explicação é dada pela Astrologia.

A verdadeira razão dessa crença é o fato de o Sol, no final do ciclo de 33 anos, encontrar-se no mesmo dia e no mesmo minuto de longitude, de maneira que, se o indivíduo estiver no local de seu nascimento, sua Revolução Solar terá a mesma orientação celeste do tema natal.


Esse ciclo solar de 33 anos, que desempenha importante papel na orientação do tema anual, parece relacionar-se igualmente com as 33 cúpulas que cercam a cavidade central maior de um altar de oferendas descoberto no templo-palácio de Malha, em Creta, com os 33 dias durante os quais o maná caiu do céu, com os 33 cantos de Dante, com os 33 graus da Franco-Maçonaria, com os 33 deuses atmosféricos dos livros do Zen, com as 33 divindades invocadas nos cantos do Rig-Veda, com os 33 Arhats da hierarquia budista, com os 33 corpos visíveis do Bodhisattva Avalokitesvara - que deram origem (há cerca de um milênio) a uma grande peregrinação japonesa aos 33 santuários - e com o falecimento de Khrishna, aos 33 anos.

Na Antigüidade, a maioria das iniciações realizava-se no equinócio da primavera (isto é, no momento do Retorno Solar que dá início a um novo ano do mundo). Da mesma forma, ninguém recebia a revelação completa antes da idade de 33 anos, que leva as casas individuais ao seu lugar natal. Como vemos, a expressão "segundo nascimento", aplicada aos iniciados, correspondia a uma realidade astrológica. Na tradição islâmica, todos os bem-aventurados que habitam o Paraíso têm 33 anos, ao passo que, na África negra, o trabalho do tecelão (cujo simbolismo é bem conhecido e dispensa comentários) é feito de 33 peças distintas.

Os antigos, que espiritualizaram tantos fenômenos celestes, a começar pelo ciclo do ano, representam cada uma das 33 orientações anuais sucessivas como um caminho místico particular do destino humano. São os 33 caminhos místicos do norte, os quais, segundo os ioguins hindus, conduzem o iniciado à iluminação total e ao seu Thulé, denominado Outrara Kourou, Tchang daminien e Chambhala. Essas 33 orientações anuais vinculam-se às 33 consoantes articuladas do alfabeto sânscrito, que constituem as manifestações do Verbo.

É possível igualmente perceber uma alusão a esse ciclo na festa judaica do Lag ba Omer, o 33º dia do Omer, data presumível da morte do rabino Siméon Bar Yochai, criador da Cabala.

Acaso os 33 toques diários do sino, que despertam às 2 horas da madrugada os monges do mosteiro cristão mais antigo do mundo, fundado no século I d.C. - o mosteiro de Santa Catarina do Sinai, situado a 400 quilômetros da cidade do Cairo — não falam da mesma coisa?

Alexandre Volguine

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