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"O Céu é um grande livro, aberto, pelo amor de Deus, à inteligência do homem." Dr. Serge Raynaud de La Ferriè

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Normose - Veja o que deve ser a Astrologia



Pessoal, eis aí um profundo texto sobre o que se deve esperar da Astrologia. O astrólogo, já falecido (nasceu em 28.12.1951 e faleceu em 2009, dormindo), é um mineiro, que sempre teve destaque pelas conferências e livros de Astrologia que publicou, sem dúvida é alguém que pensava a Astrologia. Ou seja, a Astrologia que liberta, que mostre a existência do caminho do desapego e do crescimento pessoal. Que sirva para evoluirmos. Ah, faltou dizer, que Benedetti era Sol e Lua em Capricórnio e o Ascendente claro, em Escorpião.
Muitas vezes, alguns ficam chateados comigo quando bato na tecla do “defeito” de um signo, como por exemplo, quando digo a um ariano (Sol, ASC ou Lua) que deve tomar cuidado com a grosseria, franqueza estúpida e desnecessária,...quando digo ao taurino que deve cuidar da teimosia e da falta de vontade de mudar, quando digo a um geminiano que deve cuidar da compulsão as mentirinhas e aprender a falar a não falar demais; quando digo a um canceriano que deve ser menos malicioso e que precisa esquecer o passado; aos leoninos para serem menos drámaticos e perceberem que o universo não gira ao redor deles; quando digo a um virginiano que deve maneirar nas críticas gratuitas; um libriano que deve evitar a falsidade, por covardia – “tudo pela harmonia da balança” ou evitar as futilidades; ao escorpiano que deve tomar cuidado com o desejo de controlar e as famosas “cutucadas com vara curta”; ao sagitariano, o sarcasmo, deboche,...ao capricorniano a valorização desmedida de status; ao aquariano falo no egoísmo involuntário e finalmente ao pisciano que se faz de vítima, devendo evitar o masoquismo,... Enfim, quando falo essas coisas é para vocês saberem o que existe em suas essências (autoconhecimento), e o que devem trabalhar. E olhem que aqui somente fiz um resumo básico.
Mas, como sempre, os EGOS, não compreendem minha intenção. Mas não desisto.

Por Martha Cibelli




Normose
Por Benedetti (astrólogo)

Pierre Weil, autor de inúmeros livros de psicologia e fundador da Unipaz, e Jean Yives Leloup, patrono da Unipaz, afirmam que a doença do século (isso foi apresentado no século passado) é a Normose, geradora da maioria das doenças mentais e comportamentais. Vamos emprestar deles esse conceito e trabalhar um pouco com essa idéia.

A normose se constitui na angústia do homem contemporâneo em ser aceito por sua normalidade, e por causa dessa angústia surge a ansiedade, a neurose e uma série enorme de desequilíbrios psíquicos, muitas vezes gerando somatizações perversas e malignas.

O escritor Paulo Coelho, em uma entrevista ao jornalista Boris Casoy, apresentou a seguinte proposição, que exemplifica com humor a problemática da normose:

"...Se eu disser que é comum uma pessoa usar voluntariamente um pedaço de tecido de cores berrantes amarrado ao pescoço, que atrapalha a livre circulação do sangue e
impede os movimentos normais da cabeça vão dizer que estou maluco, mas se eu disser que a pessoa está usando uma gravata vão me achar absolutamente normal... é uma questão de linguagem...."

Vamos experimentar refletir sobre a normose e suas implicações dentro de um contexto astrológico, pois a linguagem astrológica com sua riqueza e amplitude permite, muitas vezes, uma compreensão clara de situações que envolvem nossa existência.

1. Atualmente, muitas pessoas têm expectativa de viver num mundo perfeito. Este estado idealizado é bastante subjetivo, mas algumas referências podem ser escolhidas como padrões razoáveis de perfeição. Por exemplo_aprendemos a entender a perfeição como um caminho que não contenha obstáculos, onde cada passo seja previsível, um caminho onde não tropecemos, onde as coisas funcionem exatamente como foi planejado, tudo no seu lugar exato, como um lugar onde as pessoas são exatamente o que esperamos delas e nós somos, exatamente, o que é esperado de nós.


Muitas vezes alguns astrólogos assim como seus clientes gostariam de acreditar que, através da astrologia, podem, além de controlar o destino, manter e sustentar este mundo perfeito, atribuindo significados definidos e definitivos para os símbolos planetários, praticando uma ciência exata que permita prever aonde o próximo nesta engrenagem vai se encaixar, com o dia e hora exatos, se possível. Uma astrologia que permita endossar os padrões e reforçar a inércia comportamental, fazendo com que o cidadão se sinta absolutamente normal e integrado por ter o Sol em tal signo, possuir determinado signo no ascendente ou uma quadratura ou outro aspecto qualquer no mapa.


Com esse tipo de astrologia aparentemente fica mais difícil ter algum desconforto por sentir-se diferente, fica mais fácil justificar as mazelas, os desafios, as agruras do crescimento pessoal, e principalmente, torna-se possível nos sentirmos seres aceitáveis, alimentando e facilitando nossa normose.

2. Um dos componentes estruturais da sustentação dessa doença chamada normose é a família, célula mãe da sociedade, base fundamental da composição aparente do mundo moderno. Dentro do padrão familiar esperado pelo normótico está contido o universo de seus relacionamentos afetivos, prática através da qual ele deve ser aceito também como uma pessoa normal.

Quando uma pessoa utiliza a expressão "é de família", como referência de uma qualidade moral qualquer que o torne aceitável, ou quando um político sabe da necessidade de pertencer a uma família para ser eleito, acontece uma referência à família normótica, aquele núcleo que tem como base de sua sobrevivência a submissão a um conceito de normalidade, de ser igual a todas as outras.


A família é uma contingência da evolução do ser, um grupo necessário à procriação e proteção da prole, um lugar para se conviver com confiança e amor. Não é de forma alguma uma experiência negativa. O problema começa a surgir quando a necessidade de ser aceito por seguir um padrão de normalidade se torna mais importante que o sentimento que mantém aquelas pessoas unidas.


Para o normótico, o conceito de família implica na "família perfeita", aquela que obedece todas as regras da sociedade sem questionar, geração após geração. Mudam as roupas, muda a música, atualizam-se alguns hábitos culturais, muda a sintaxe, mas papai, mamãe e filhinhos continuam imutáveis enquanto forma estática, standard. Isto é um mundo perfeito. Aqueles que se diferenciam do padrão familiar vigente são vistos como inimigos, ameaças à paz e bem estar da tradicional família seja lá de onde for. Cada vez que esta estrutura é ameaçada por crises econômicas ou questões coletivas, corremos para o horóscopo, convocamos o terapeuta, acessamos imediatamente todos os oráculos disponíveis, que num mundo perfeito, com as engrenagens certas e os parafusos nos lugares, tem que funcionar, e esperamos deles respostas para a compreensão dos momentos de vida que sustentem a necessidade de padrões.


Existe uma prática astrológica conivente com a normose. É aquela astrologia que descreve a pessoa dentro dos códigos dela, não propõe jamais uma mudança de paradigma, justifica tudo através da descrição acomodativa e deixa todo mundo satisfeito por ser como é.

É aqui que quero chamar a atenção de todos vocês deste Grupo. Um Mapa Astrológico nos dá o autoconhecimento, certo? Mas, nem por isso, devemos nos acomodar nos lados yang de nossa química pessoal e desprezar o lado yin. Ou seja, devemos trabalhar em nós mesmos o nosso lado sombra. Assim certamente vamos evoluir nesta existência.

Afirmações do tipo: "você é assim porque é de Virgem", ou "esse problema existe porque você tem uma quadratura de Marte", ou ainda "fica tranqüila que esse problema só existe porque vem de outra encarnação, é karmico!", são típicas dessa astrologia que não conduz ninguém à liberdade e à transformação pessoal, apenas mantêm o mundo exatamente como ele é há séculos ou talvez milênios.

Esse tipo de uso da astrologia, tão bem aceito no mundo moderno, reforça hábitos considerados normais, como o consumismo, através de listas de presentes e compras, ou então salienta a necessidade de encontrar pessoas compatíveis com seu signo ou configuração astrológica, como é estabelecido pelo padrão normótico que diz que somos todos seres parciais que precisamos de outro para sermos completos. Essa astrologia é perfeitamente aceita pela mídia, é elegante, não incomoda, é simpática à manutenção de valores e padrões, acalma e acomoda. Ela faz o indivíduo se sentir normal e aceito dentro de suas limitações e das limitações culturais impostas a ele.

O nível de exigência da pessoa se justifica pela simples descrição de seus gostos e hábitos. Tudo parece ser coerente e funcional, e dentro dessa coerência, fica fácil se sentir normal e aceito, sem ter que mudar muita coisa, sem ter que tomar nenhuma atitude ou abrir mão de nada para crescer.

3. Na natureza existe a perfeição. Todas as coisas são impecáveis em sua relação dinâmica natural. Cada besouro que se reproduz, cada folha que cai de uma árvore, os milhões de corpos microscópicos que nos habitam e interagem permanentemente, tudo mantendo e alimentando a dinâmica da vida, a dança da existência.

A perfeição da natureza é o movimento, a perfeição está na própria transformação constante de tudo e todos. Existem infinitos ritmos, existe uma infinidade de movimentos possíveis, todos absolutamente integrados entre si, tudo interagindo dentro de uma coreografia tão perfeita que só pode ser denominada de Divina, pois está na maioria das vezes além da compreensão de nossa limitada capacidade descritiva. Essa constante transformação, essa mudança de forma e intensidade, faz com que cada pétala de flor, cada ameba, neurônio, ou célula perdida no espaço, se integrem, realizem seu papel, e a dinâmica desta realização (e desta perfeição) é o estado de permanente transformação.

O movimento dinâmico da natureza, quando interpretado através de símbolos e transformado em linguagem, é a própria astrologia, um estudo da coreografia da vida, uma compreensão razoável da dança da natureza e da integração entre todos os seres, animados e inanimados, como os imensos planetas em movimento, absolutamente harmoniosos com a totalidade da vida.


O estudo da sintaxe da natureza é chamado por nós de astrologia e essa astrologia que parte da descontextualização do movimento natural só pode fazer sentido se aplicada ao ser em movimento que também se proponha a se libertar de um contexto anti-natural e estático, moribundo, para se reintegrar à dança cósmica, a dança dos elétrons, dos átomos e das borboletas.

Uma astrologia que se proponha a descrição mecânica e integradora do homem à normose é uma astrologia dedicada aos mortos e aos que desistiram de crescer e viver.

4. Uma realidade social perfeita pretende ser estática, como propusemos acima.

Parece que quase ninguém quer abrir mão de seu "status quo", principalmente o familiar, para viver qualquer transformação que seu espírito esteja pedindo. Um astrólogo descritivo, daqueles que analisa minuciosamente o mapa, descreve impecavelmente cada aspecto, cada posição planetária, geralmente é bastante satisfatório para este grupo.

Ele ajuda a manter o mundo perfeito absolutamente perfeito, porque se limita a descrever as coisas no nível de exigência do sujeito, e mesmo que ele se aprofunde ao máximo, ele aprofunda sempre a idéia de manutenção daquela perfeição...

5. Se a Natureza é perfeita porque se transforma continuamente, então na própria mudança está a perfeição. No entanto, se este mundo, os núcleos sociais que mantêm os padrões, os grupos que servem de base e modelo para a estrutura da normose, são perfeitos porque nunca mudam (aumentam, mas não mudam em sua essência) surge então um paradoxo. Porém, a natureza é simples e transparente, não aceita paradoxos, e vai fazer este mundo perfeito viver sua transformação, queiramos ou não, e como geralmente não queremos, criamos nossas couraças. Até a astrologia formal é uma tremenda couraça que tantas vezes justifica este mundo perfeito, mas aquilo que resiste à transformação imposta pela natureza vai se transformar à revelia, pois a deterioração também é uma dinâmica transformadora da natureza.

Esse pensamento todo, parte da observação de tantas estruturas desmoronando sem uma explicação mais lógica. Usei a família como referência do mundo perfeito por ver tantas famílias aparentemente equilibradas e harmoniosas se desfazerem sem um motivo aparente.

Acreditamos que a insistência em ser e parecer normal, utilizando-se da rigidez e imutabilidade como fórmula de perfeição é uma das possíveis causas dessa desintegração, não apenas da família, mas do indivíduo que desperdiça sua energia vital querendo parecer normal e tornando-se apenas mais uma vítima dessa doença chamada normose.

O QUE A ASTROLOGIA PODE FAZER ENTÃO?

A problemática que se apresenta a partir do conceito de "normose" que foi apresentado acima é quanto à questão da objetividade e finalidade do trabalho astrológico. Será que é possível uma astrologia que não seja conivente com a necessidade de normalidade das pessoas? Uma astrologia que liberte, que mostre a existência do caminho do desapego e do crescimento pessoal?

Na maior parte das vezes existe um acordo tácito e comum sobre o significado dos planetas, casas, signos, configurações. Este significado é universal dentre as mais diversas áreas do conhecimento humano.

Existe uma sintaxe coerente e prática que pode ser decodificada em inúmeros níveis de compreensão, e graças a essa sintaxe, Aries, por exemplo, sempre estará ligado ao impulso original, e Saturno à estrutura, exatamente por representarem estágios perceptíveis na coreografia da natureza. Isso é atávico.

Como a astrologia descreve personalidades, que antecipa eventos ou momentos na vida da pessoa, pode (e deve) ser um instrumento de libertação da Normose, da necessidade de ser visto e aceito como normal?

Será possível que a Astrologia nos auxilie a nos libertar dessa angústia tão moderna e presente?

Será possível que a Astrologia nos permita resgatar a conexão com a dança da natureza, ingressarmos no movimento de todas as coisas e fluirmos juntos, em vez de sermos induzidos à estagnação energética gerada pela condição de imutabilidade exigida aos normais e previsíveis?

PENSAR E EXPERIMENTAR

A linguagem que denominamos Astrologia, como qualquer linguagem, permite um uso criativo das informações. Podemos entender os símbolos dentro de uma proposta de manutenção e perpetuação de valores, justificando e endossando nossa provável normose, ou podemos traduzir esses símbolos como um instrumento para o crescimento e a libertação de qualquer coisa que nos oprima e represente um obstáculo para a evolução de nosso espírito.

Podemos, se ousarmos pensar e experimentar para sairmos do lugar comum, atribuir um significado Normótico aos planetas, e também podemos fazer uma proposta de significado dentro de um novo paradigma.


A experimentação e as novas propostas dentro da linguagem astrológica permitem que nos libertemos de uma sintaxe à qual estamos praticamente escravizados e se inicie o processo de elaboração de uma nova sintaxe, aquela que seja coerente com o movimento natural das coisas e não com a estabilidade e conservação pura e simples.

É importante observar que estas duas propostas não são excludentes, ambas são válidas e integram-se ao indivíduo, ou alternam-se. Mas, digamos que se quisermos nos libertar desta doença, a Normose, deveremos nos concentrar no significado libertador do planeta, aquele que não nos vincula a um nível de exigência preso ao passado e à eterna conservação dos valores.



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Elaborado e divulgado pelo espaço Astrologia_autoconhecimento
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O futuro não precisa mais de revoluções.
O futuro precisa de um novo experimento que ainda não foi tentado.
Embora tenham existido rebeldes há milênios de anos,
eles continuam sozinhos, individuais.
Talvez ainda não fosse a hora deles.
Mas agora não só é hora, como, se não nos apressarmos,
Já não haverá mais tempo.
Ou o ser humano desaparecerá
Ou um novo homem com uma nova visão aparecerá sobre a Terra.
Ele será um rebelde.
Osho


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