Algumas palavras...

"O Céu é um grande livro, aberto, pelo amor de Deus, à inteligência do homem." Dr. Serge Raynaud de La Ferriè

segunda-feira, 21 de março de 2011

Do Retorno de QUÍRON



“...aquilo com que não estamos conscientemente em contato aparece-nos como ‘destino’.
Parece acontecer-nos e, assim, não nos responsabilizamos por isso,
nem reconhecemos o nosso papel na sua manifestação.
Quanto mais uma pessoa está conscientemente
em contato com a sua vida interior, mais a Astrologia oferece
– não surpresas sensacionais ou um modo de manipular o destino –
mas um meio de clarificar as fases de autodesenvolvimento
que devemos vencer e utilizar como oportunidades
para a transformação pessoal.”

Carl Jung


RETORNO DE QUÍRON

O retorno de Quíron a sua posição original acontece em algum momento entre 49-51 anos. A volta de Quíron representa um ponto de escolha: nós estamos nos movendo para a morte ou nos movendo mais profundamente para dentro da nossa espiritualidade e essência? Para aqueles que têm trabalhado na cura de suas feridas e estão abertos para sua espiritualidade pode ser um período verdadeiramente notável em suas vidas. Pode ser um tempo de grande criatividade e que nos permite encontrar nosso próprio lugar no mundo. Por outro lado, se as lições de Quíron não tiverem sido integradas e a pessoa não tiver se aberto para o reino espiritual isto pode ser um teste se não uma mortal experiência.(James Jarvis)



Mapa da descoberta de Quíron





A ÓRBITA DE QUÍRON



A órbita de Quíron se completa entre 49 e 51 anos; como ela é bastante elíptica, quando ele está mais próximo do Sol, ela entre na de Saturno; e quando ele está mais longe do Sol, ela se aproxima da de Urano (mas não a cruza): unir esses dois opostos, como Quíron faz, é como criar uma forma holística de consciência, que transcende a tensão entre eles (por isso, simboliza uma ponte de ligação entre esses dois planetas). A natureza muito elíptica da órbita faz com que ele fique pouco tempo p.ex. em Libra (cerca de 1,75 anos) e muito tempo p.ex. em Áries (cerca de 8,25 anos), com as implicações decorrentes (sobretudo no que diz respeito ao tempo variável que decorre para as quadraturas e oposições).



CASA E SIGNO DE QUÍRON



O posicionamento de Quiron no horóscopo natal representa uma área da vida que é inicialmente bloqueada ou ferida ou que não consegue ser vivenciada em sua plenitude, embora também possa descrever o campo em que devemos fazer uma contribuição singular e individual... A dor e a frustração que sentimos nessa área podem nos impelir a iniciar uma jornada interna de cura, quase sempre descrita em termos qualitativos pelo signo em que se encontra Quiron. Os planetas em aspecto com Quiron também nos revelam certos dados sobre o tipo de terreno pelo qual talvez devemos passar ...

A configuração de Quíron descreve “ o caminho” do indivíduo, como expressa apropriadamente a palavra árabe tariqa. No sufismo tradicional, um grupo de discípulos reúne–se em torno do mestre que personifica certas qualidades, representando a tariqa particular ou o “caminho para o divino”. Em termos psicológicos, Quiron é o Mestre Interno a quem devemos obediência e dedicação. O conjunto de ingredientes astrológicos que o cercam podem simbolizar as provas, as tarefas e as provações que surgem sob a tutela desse Mestre Interno, cujo caminho ou tariqa é a própria vida, independente ou não de seguirmos uma tradição espiritual.

Com freqüência Quiron simboliza coisas que podemos realizar para os outros, mas que somos incapazes de fazer para nós próprios. O paralelismo mitológico é evidente; com efeito, Quiron era incapaz de curar suas próprias feridas apesar de ter a faculdade de curar outras pessoas, de modo que, à princípio, não podia tirar proveito daquilo que oferecia aos outros.

Aonde Quiron estiver presente no mapa natal, e onde Quiron estiver atuando por trânsito ( isto é, aonde a posição atual de Quiron estiver interferindo no mapa natal ), sentimos algum tipo de necessidade, desejo ou compulsão de elevar o nosso nível de consciência : nós usamos palavras especiais para descrever esse processo, como “iluminação”, “maestria”, “expertise” .

Dessa forma, o que começa como doença se transforma não em apenas saúde mas também uma maneira de se chegar a um novo estado de força interior, integridade e liberdade. Tal processo de auto - cura pode gerar informações importantes para outras pessoas, enquanto estas alcançam os seus próprios estados de completude.

Alguns de nós somos familiarizados com o conceito de xamanismo . Os xamã são pessoas que tipicamente servem a comunidade, ou servem a própria cultura; e essa qualidade é uma das marcas que identificam pessoas que tem uma missão espiritual na vida. Sem exceções. na trajetória do xamã existe uma ferida infligida; como uma doença na infância, cegueira, uma experiência de quase – morte, um flerte com a loucura, que causa o xamã reunir suas forças e poder e dessa forma se tornar quem realmente é. Com Quiron nós vemos esse processo em andamento, em algum nível, com todas as pessoas. Essa “ferida” pode ser a perda prematura de um pai ou mãe, um ferimento, ou até mesmo um talento nato que fez o indivíduo “diferente”, assim forçando o próprio a confrontar um aspecto da realidade desde muito cedo.


A Casa, e o Signo de Quíron, revelam as áreas de busca de transcendência, de aprendizagem e de experiências que requerem domínio e auto-aperfeiçoamento.

Há uma ferida, que precisa sarar, e, pode ser feito, através de serviço ou dedicação a uma causa maior. Há sempre lições a serem entendidas nessas áreas, e, portanto, mudanças de direções e de atitudes.
É um desafio, que nos é oferecido, o de criação de novas formas, internas e externas, “o caminho para o divino.”

"A posição de Quíron na casa pode nos mostrar onde fomos feridos ou machucados de algum modo e, através dessa experiência nos fazer obter um tipo de sensibilidade e de autoconhecimento que nos capacita a entender e ajudar melhor aos outros". (Sasportas)


"O posicionamento de Quíron por casa enfoca a área em que podemos sentir dor e enfrentar dificuldades, bem como a esfera em que procuramos expressar nossa individualidade distinta. Podemos evitar nos "expor à luz" nesse campo de experiência, recolhendo-nos em nosso sofrimento, como fez Quíron com sua ferida incurável, ou podemos ingressar nessa esfera apenas quando submetidos a alguma pressão ou ao assumirmos um papel nobre, como Quíron em sua função de curador e mentor de heróis.Podemos também considerar o posicionamento de Quíron por casa como TEMENOS - recinto sagrado onde o indivíduo pode descobrir o lado numinoso da vida.Outra imagem, quando consideramos Quíron como Mestre Interno, sua casa e signo quase sempre descrevem importantes lições que devemos aprender durante a vida presente. Essas lições representam mais o objetivo interno de nossa jornada do que qualquer outra coisa externa e envolvem o Caminho do Meio, o que é apropriado para que possamos cumprir nosso dharma individual. Antes de o Caminho do Meio ser encontrado e reconhecido, Quíron tende a manifestar-se através de algum sofrimento, na forma de tudo-ou-nada; entretanto, com a maturidade e a renúncia, pode emergir um sentimento de integridade - quase sempre associado a certo sentido religioso ou em conexão com o dharma - dentro de algum contexto maior que nós mesmos - constituindo-se na dádiva de Quíron.Além disso, os planetas que formam aspectos com Quíron, representam, nessa trama, forças internas e externas contra as quais devemos lutar, a fim de que não nos afastem do dharma".(Melanie Reinhart)

As descobertas de Urano (em 1781), Netuno (em 1846) e Plutão (em 1930) tiveram a ver com eventos mundiais importantes para a humanidade, nessas épocas. Quanto a Quíron, talvez o assunto mais importante no mês de sua descoberta tenha sido, em 19.11.77, a reunião entre o presidente do Egito, Anwar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, para discutir a paz entre esses dois países, do que resultou o isolamento do Egito em relação aos seus vizinhos árabes; e isso deve ter contribuído para o assassinato de Sadat.

Em termos mais gerais, 1977 marcou uma época em que, pelo menos nos Estados Unidos, passou a ser focada muita atenção para o que veio a ser chamado de ‘Medicina Holística’.

Em vários exemplos ocorridos na segunda metade da década de 1970, podemos ver analogias com Quíron como um baluarte de sua raça, o único Centauro que deixou a companhia daqueles de sua espécie para buscar o que ele sentiu ser um caminho melhor de vida.





QUÍRON NOS HEMISFÉRIOS, NOS QUADRANTES,

NOS ELEMENTOS E NAS MODALIDADES

O livro citado de Richard Nolle faz uma boa análise da posição de Quíron conforme título acima; entretanto, o que merece um destaque maior é sua presença nos hemisférios: no hemisfério inferior (mais ligado com o mundo interior do indivíduo) ou no hemisfério superior do mapa natal (mais ligado com o mundo exterior do indivíduo). Segundo aquele autor, quem tem Quíron no hemisfério inferior geralmente tem ‘uma inquietude subconsciente que trabalha sob o nível da percepção racional, para produzir oportunidade para crescimento transcendental.’ Já quem tem Quíron no hemisfério superior geralmente ‘tende a projetar a função de Quíron em outras pessoas; ao invés de iniciar independentemente o processo que leva a uma confrontação com o mestre interior, o indivíduo terá probabilidade maior de ser beneficiário de contatos com outras pessoas, que farão o papel de mestres.’

Exemplos destacados de Quíron no hemisfério inferior são os mapas de Sigmund Freud, C. G. Jung, Hermann Hesse, Mohandas K. Gandhi, Martin Luther King Jr. e John Lennon;, quanto à posição no hemisfério superior, podemos citar Annie Besant, Bob Dylan e Carlos Castaneda ( de acordo com o citado naquele livro). Mas o exemplo mais notável é o do conhecido astrólogo Dane Rudhyar: em um excelente artigo sobre Quíron, Candy Hillenbrand cita que ‘Rudhyar foi o pioneiro (Áries) de uma abordagem Harmônica (Libra) para a Astrologia (Quíron), e essa se tornou sua maior contribuição para o mundo (Quíron em conjunção com o MC – a 12º06' de Libra, nota deste autor). Rudhyar também foi artista, poeta, e compositor musical. Ele escreveu acerca de uma abordagem ‘estética’ para a vida, de uma maneira muito bem simbolizada por Quíron em Libra.’




QUÍRON NOS SIGNOS E NAS CASAS

Sem dúvida, a aproximação e a abordagem de uma busca por transmutação / transformação será colorida pelo elemento e modalidade em que se encontra Quíron no mapa natal do indivíduo.

Entretanto, basicamente se pode dizer que Quíron nos signos geralmente indica a predominância de uma busca ou de uma crise, na vida presente: em Áries, a busca da identidade; em Touro, a busca de valores no plano material; em Gêmeos, uma crise pessoal com respeito à integração aqui na Terra, que afeta grandemente o equilíbrio e o sistema nervoso; em Câncer, uma crise relativa a raízes culturais e/ou uma crise de proteção pessoal (o indivíduo se sente preso ao passado); em Leão, uma grande crise do ego, que irá aperfeiçoar gradualmente o nativo, até a maestria da vontade; em Virgem, a busca de uma re-sintonia com a dinâmica da cura (inclusive interior); em Libra, a busca do equilíbrio do eu em relação ao outro; em Escorpião, uma crise de morte/transformação ou uma escolha significativa de viver, relacionada com os temas da Casa que contém Quíron; em Sagitário, uma crise relativa à integração do Eu Superior na consciência da pessoa; em Capricórnio, uma crise cármica em relação ao êxito na busca e ao equilíbrio na vida, entre o sucesso e a subsistência normal; em Aquário, uma crise quanto a estar fundamentado, quanto a viver na Terra de um modo equilibrado; em Peixe, uma crise a respeito de unir-se com a força divina, a unicidade universal. (Barbara Hand Clow).

Já Quíron nas Casas revela a qualidade da compreensão da vida em relação à alma; revela o caminho da alma, o ponto de pedra-de-toque para a realidade multidimensional, e o método que o nativo deve aperfeiçoar para aprender a maneira de curar. (B.H.C.). Por exemplo, a chave para Quíron na C. 2 é ajudar os clientes a definirem melhor seus valores.

O aconselhamento mais eficiente com Quíron é sempre o de ajudar o cliente a tornar-se consciente dessa energia, para que possa dirigi-la melhor.

No primeiro livro (em termos de publicação) mais destacado sobre Quíron, Richard Nolle expressa o seguinte:

“A Astrologia, como é comumente praticada, é descritiva e fatalista. É usada como um meio para revelar um caráter supostamente imutável, para revelar um destino que é (mais ou menos) possível acontecer. A Astrologia simbolizada por Quíron é, por outro lado, criativa e transformativa. Ela não lhe diz meramente o que você é em termos de tantos traços de caráter. Ela não lhe mostra um mapa com tantas realidades alternativas, sendo que alguma combinação delas se provará ser o seu destino. Quíron, devemos lembrar, era um preceptor, alguém que as pessoas procuravam quando se preparavam para feitos heróicos. O supremo ato de heroísmo é a transformação do self, a criação do destino através da transcendência do fado. É a esse tipo de Astrologia criativa e alquímica que Quíron dá significado.”

OS ASPECTOS COM QUÍRON


Em geral, o número de aspectos entre Quíron e os outros planetas indica o grau de poder de cura e os padrões de resposta alquímica natural no interior do nativo.

Um Quíron bastante aspectado é (mostra) igualmente o caminho para a cura do eu (ou ego). Com freqüência poderosas quadraturas e oposições de Quíron com os planetas interiores estão levando o nativo a uma grande cura interior.

Quanto aos nodos lunares, podemos dizer que Quíron em aspecto com os mesmos indica uma ligação kármica com a arte da cura, devendo o indivíduo fazer uma análise mais direta das energias envolvidas, de forma a sintonizar mais e melhor a acentuação que deve dar ao conhecimento do seu dharma (Quíron + nodo norte) ou karma (Quíron + nodo sul), tendo como referência o foco vinculado com saúde e cura.



ATUAÇÃO DE QUÍRON


"Quíron impele à ação em benefício da totalidade cósmica. Quíron solicita mudanças e atividades em prol das necessidades cósmicas/gerais, sugerindo que usemos nossos dons pessoais e intuições para resolver questões bem concretas e paradoxais, dotadas de significado pessoal e transpessoal. Como Urano, Quíron atua através do conhecedor dentro de nós, desafiando-nos a abandonarmos nossos preconceitos e racionalidade e incentivando-nos a seguir aquela centelha de ação iluminada em nós que faz exatamente aquilo que é mais apropriado, de diversos pontos de vista ao mesmo tempo.Quíron nos remete à questão mestre-vítima, e a nossa capacidade de resolvermos enigmas que não têm precedentes. Ele realça nossas habilidades mágicas - o desafio às expectativas, a criação de milagres ou à capacidade de seguirmos e encontrarmos o caminho mais curto para atravessar o labirinto. Quando Quíron está forte, apresenta-se a nós muitos problemas e dilemas, aparentemente impossíveis de resolver, que podem ser magistralmente elucidados por meio de uma mudança contextual, uma expansão da percepção e uma abertura de nosso brilho e genialidade - ou, muitas vezes, do bom e velho senso comum, que antes não tínhamos vislumbrado. Acontecem coisas estranhas, mas elas têm significado no quadro geral. Quando tudo parece impossível e temos de desistir, abrimo-nos a Quíron e encontramos a chave que abre a porta que bloqueia nosso caminho. Tudo o que acontece em relação a Quíron parece destinado a acontecer. Sincronicidades e extraordinárias reviravoltas e aberturas, orientação interior e situações que nos abalam profundamente, caracterizam a ação de Quíron. Nossa tarefa consiste em facilitar o caminho do fluxo universal em nós, pois, quando agimos em harmonia com essa Força nossa capacidade de criar obras-primas de aparentes fracassos aumenta, levando a resultados onde os benefícios gerais e pessoais se igualam". (Palden Jenkins)





QUIRON – A primeira mágoa de Quíron é a rejeição de sua mãe, e onde quer que Quíron se encontre no mapa (casa), esta é a área em que podemos ser mais sensíveis a rejeições. No nível simbólico, isto pode refletir a “saída do Paraíso”, que todos vivemos quando o útero começa suas contrações e nos atira à dura realidade do mundo. Quando nos encontramos num corpo físico separado e distinto, perdemos esse sentido de unidade com a vida. O posicionamento de Quíron na casa pode mostrar onde estar num corpo cria um problema – onde os desejos e anseios do nosso físico terrestre pode estar em conflito com impulsos para algo mais transcendente, puro e divino.


“O curador ferido” - Na mitologia, Quiron é um Centauro, sendo o mais sábio de todos. Representa a busca da imortalidade.

Tinha corpo e pernas de cavalo e o tronco e braços de homem. O símbolo do cavalo é de riqueza, vitalidade e energia instinto, potencialmente domável. O cavalo é frequentemente associado à Árvore da vida que liga o reino humano às regiões superior e inferior do espírito.

Quiron, é filho de Cronos (Saturno) e da ninfa Filira,.e foi rejeitado por esta. Foi concebido enquanto seus pais se encontravam a disputar uma luta instintiva. Foi abandonado, tendo sido mais tarde encontrado por Apolo, assumindo este o papel de pai adotivo, transmitindo-lhe muitos ensinamentos.

Quiron tornou-se homem sábio, profeta, médico, professor e músico. Ensinava inclusivamente os Centauros rebeldes.

O titulo de “Curador ferido” é contado através da lenda que conta: Hércules Herói grego, é convidado para jantar com os Centauros. Durante o evento, uma briga acontece, e, Hércules dispõe-se a atacar os Centauros. Estes fogem, e, Hércules persegue-os. Uma das flechas, fere Quiron numa coxa, causando-lhe uma ferida incurável que o faz sofrer pelo resto da vida. A flecha estava envenenada., com o sangue de Hidra, monstro com o qual Hércules tinha lutado.

Quiron não podia morrer, pois era imortal, mas também não podia curar a ferida.

Assim, começou a ajudar os outros, e, à medida que procedia dessa forma, sentia alívio na sua ferida incurável.

Assim, Quiron, simboliza a busca espiritual, a necessidade de religar o espírito com a matéria. É a ponte, entre os dois mundos. Até ser alcançado, procura a causa do sofrimento alheio. O sacrifício pelos outros, o sacrifício da natureza inferior, é a forma de sarar a ferida mortal simbolizada pelo veneno de Hidra.








O “Dicionário de Mitologia Clássica“ (Zimmerman) relata que Quiron foi o centauro mais “gentil, culto e sábio” e diz ainda que Quiron era famoso por seu conhecimento de medicina, música, [ e ] tiro ao alvo; ensinou a humanidade o uso de plantas e ervas medicinais; instruiu os maiores heróis da época [incluindo] Achilles, Ancas, Asclepius,Heracles, Jason, [e] Peleus. Quiron ensinou não só herbalismo mas também medicina e cirurgia à Asclepius, o deus grego dessa Arte.Seu nome continua na linguagem atual na palavra “ quiropatia ”, que é o ajustamento dos ossos do pescoço e coluna como maneira de curar várias patologias.

Na versão mais comum que descreve seu nascimento, Quiron aparece como filho de Crono (Saturno) e da ninfa Filira, filha de Oceano e Têtis. Crono encontra pela primeira vez Filira na Tessália enquanto estava à procura de seu filho Zeus, escondido pela esposa Réia que andava aborrecida com o fato do marido devorar todos os filhos à medida que iam nascendo. Filira metamorfoseia –se em égua para tentar escapar de Crono, que ardentemente começa a perseguí–la. Crono, por sua vez, a engana metaforizando -se em um cavalo e , assim, consegue unir –se à ela. Dessa união nasce Quiron, o Centauro, com o corpo e pernas de cavalo e torso e braço de homem. Ao vê–lo, Filira fica tão perturbada que roga aos deuses ser transformada em tília. Assim, Quiron é abandonado e mais tarde encontrado por Apolo, que assume o papel de pai adotivo e, como mentor, transmite –lhe muitos ensinamentos.



PADRÕES DE QUÍRON



Astrologicamente Quíron está relacionado ao tema da dor e da cura. A nível pessoal, representa a natureza das feridas psicológicas mais profundas, que recebemos nas primeiras fases da vida, conflitos e problemas que exigem solução, com origem na infância ou que são inconscientes, mostrando áreas em que somos vulneráveis. A configuração de Quíron quase sempre descreve o tipo de conexão existente entre o indivíduo e seu sofrimento interno, bem como um caminho passível de levá-lo à cura.*Por exemplo, Quíron em aspecto com Vênus - vivenciam tanto as feridas quanto a cura através dos relacionamentos.Compulsão à repetição na área de Quíron - Além de apontar para a área em que já estamos feridos, Quíron também nos mostra onde podemos atrair mais situações que irão nos ferir; todavia esse processo também pode ser semelhante à "espada que cura a ferida que infligiu", segundo o qual aquilo que receamos e tememos também pode ser justo a fonte através da qual chegará a cura.Outro padrão diz respeito a um ciclo de lutas e fracassos aparentemente inúteis que não podemos vencer e do qual tampouco podemos fugir. "A configuração de Quíron quase sempre descreve um conjunto de acontecimentos, padrões e circunstâncias que se repetem, a despeito dos esforços despendidos para modificar o curso desses eventos. Entretanto, podem ser elaboradas e, quando verdadeiramente aceitas com compaixão, algumas vezes curadas". Fazer para outros - com freqüência Quíron simboliza coisas que podemos realizar para outros, mas que somos incapazes de fazer para nós próprios".(Melanie Reinhart)

No mapa astral, Quíron mostra uma área aonde temos tendência a repetir os mesmos erros (Saturno) até que um dia nos damos conta disso (Urano); o mesmo ponto do nosso mapa que aponta um padrão repetitivo ou doloroso é o ponto em que podemos atingir uma libertação, exercendo nosso livre-arbítrio. Primeiro é preciso haver consciência de que algo está errado. E segundo, muita disposição em modificar isso. "Em outras palavras, parece que quando você compreende o que precisa enfrentar e o que de fato está em seu caminho (Saturno) e reconhece o que tem a fazer pela frente (Urano) você está modificando o seu destino (Quíron)". (Vanessa Tuleski)




QUÍRON RETRÓGRADO

Os planetas retrógrados são mais bem compreendidos de uma perspectiva magnética, de um ponto da energia, e sua atividade é mais bem entendida conceitualmente como uma dinâmica do tempo. Os planetas diretos são elétricos e fazem com que a energia carregue e se mova; os planetas retrógrados são magnéticos e puxam a energia para o mapa. Portanto, quando Quíron está retrógrado, ele atrai poderes de cura, iniciáticos e alquímicos. Examinando minhas pastas, notei que os clientes com Quíron retrógrado são mais atraentes, mais fascinados pela magia e pelo oculto e puxam essa energia para si. A dinâmica do tempo se refere ao fato de que os planetas retrógrados tenderam a funcionar simultaneamente no passado, no presente e no futuro. A curto prazo, no plano físico, essa dinâmica do tempo é confusa porque com os planetas diretos a ação simplesmente se inicia num ponto do tempo e segue em frente, sendo observada mais facilmente, mas desta vez a dinâmica empresta grande sutileza a psique.

Os planetas exteriores são mais freqüentemente retrógrados do que os planetas interiores; o Sol e a Lua nunca são retrógrados, é claro; pode-se afirmar que as energias dos planetas exteriores são mais sutis devido às fases retrógradas mais longas. A dinâmica do tempo chega a um nível extremamente sutil com Quíron. Os três aspectos da deidade na teologia druídica são Beli (futuro destruidor), Yesu (presente e Salvador) e Taran (passado e Criador). Essa tripla deidade está presente para aqueles que têm Quíron retrógrado. Isto é, eles se preocupam com o futuro e a significação das forças destrutivas; sentem a essência do presente, ou Salvador; buscam o significado esotérico do passado, ou criação. Essa é a música pela qual eles dançam, e quanto mais cedo conseguirem identificar o efeito que ela está tendo sobre sua consciência, tanto mais cedo podem colocar os fatos em perspectiva. Essa é uma profunda e intensa resposta ao universo, que oferece grande sabedoria e criatividade assim que é entregue à psique. A posição da Casa de Quíron retrógrado irá descrever o caminho da percepção desse poderoso vórtice de sensibilidade perceptiva.

“Quíron” – Bárbara Hand Clow


CICLOS DE QUÍRON - ASPECTOS E RETORNO DE QUÍRON
 

O Retorno de Quíron aos 50 anos é um período de renascimento. De 9 meses a 1 ano antes do Retorno de Quiron é quando as influências ancestrais são reveladas, quando aquilo que temos que trabalhar nesta reencarnação fica claro. Quíron vai iniciar os mesmos trânsitos ao mapa natal que fez quando nascemos.

Antes de começarmos a falar, existimos num campo de experiência muito ligado aos sentidos e não nos recordamos. A nossa consciência está a trabalhar a outro nível. Parece que o retorno de Quiron nos trás à mente o nosso sentido para a vida.

Em consultório a autora Melanie Reinhart faz 2 listas de trânsitos que analisa:

1 – 1 ano antes do nascimento até à 1ª quadratura de Saturno
2 – 1 ano antes do Retorno de Quiron e até cerca de 8 anos depois

 

QUÍRON, METANÓIA E CONSCIÊNCIA

1. Introdução

O ser humano tem uma estrutura constitutiva muito complexa. Além da sua constituição do ponto de vista energético, podemos citar diretamente a constituição do ponto de vista bio-fisiológico, com a imbricação do funcionamento dos sistemas orgânicos, nervosos, do endócrino e do imunológico; a complexidade desse ‘organismo vivo’ (como um todo) nos permite perceber e expressar como e quanto é complicada a questão do ego versus a possível consciência de si, ao alcance do indivíduo como tal.

Se somarmos a essa percepção o fato de que usualmente ninguém vive sozinho, no sentido de que depende de um grupo familiar para nascer, crescer etc e do grupo social para se relacionar e exercer atividades profissionais, é facilmente aceitável que o contato de um indivíduo consigo mesmo (com seu interior, seus recursos, qualidades e talentos, bem como suas limitações, -- aí incluída sua carga genética) não pode ser mecânico, mas sim, depende de um esforço consciente e (de preferência) consistente ao longo de sua vida.

Assim sendo, o contato e vínculo de um indivíduo com seu processo de individuação – que inclui a questão da saúde, num sentido amplo – depende do reconhecimento do e do interesse por seu ser interior. Saliente-se que esse interesse reflete um processo dinâmico, que pode se iniciar em qualquer época da vida do indivíduo, desde muito cedo até muito tarde. Independentemente disso – e enquanto isso, salvo exceções – o indivíduo se percebe na contingência de existir dentro do grupo familiar e do grupo social, nos quais deve desempenhar funções, que requerem sua participação no mundo exterior.


Em decorrência, o modo e a forma como o indivíduo se relaciona consigo mesmo e com o mundo que o cerca refletem a dinâmica do processo do seu bem-estar, que inclui a questão de sua saúde (no sentido amplo). Caso o indivíduo reconheça a necessidade do contato e vivência (do eu) com seu ser interior, poderá colocar-se diante do processo que se tem chamado de metanóia (uma mudança do processo mental, um voltar-se para uma nova direção, para a Luz), o qual conduzirá a um desengajamento em relação à identificação (pura e exclusiva) com o mundo material e a um engajamento num processo de amadurecimento individual (ou individuação, no sentido estrito), o qual em última instância poderá conduzir à religação com o Self.

E podemos acrescentar que o desenvolvimento do ego na direção da totalidade só vai ser conseguido com a integração do corpo nesse processo, integração essa que implicará o equacionamento da referida questão da saúde. Um sintoma, qualquer que seja, quando visto como símbolo, expressa a necessidade de integrar um elemento novo ou reprimido na consciência.

Para James Hillman, fatores como sentimentalismo da personalidade, eficiência a todo custo, engrandecimento do poder e simples fervor religioso são fatores atuais que podem levar a doenças, destacadamente as cardíacas. Para ele, o infarto (que vem de farto, farctus = estufado, cheio) revela que o coração do homem moderno está congestionado pelas riquezas que não entraram em circulação, ou que foram constrangidas por estreitamentos, não tendo permissão para passar, riquezas estas que vêm do mundo da fantasia e da imaginação.

Poderíamos dizer que o ego, ao não dar passagem aos conteúdos inconscientes, aumenta a tensão interna, gerando angústia e ansiedades. Quando esses conteúdos estão associados a conflitos amorosos, por exemplo, o resultado pode ser uma sensação de disritmia e desarmonia amorosa. O coração doente expressa tanto a dissociação do ego com seu centro amoroso como a necessidade de religá-lo ao Self, para que a harmonia possa retornar.


Portanto, esse enfoque na religação do ego com o Self é fundamental para o estabelecimento do bem-estar do indivíduo – visto de maneira abrangente – e da sua saúde em particular, pois ele possibilitará o desenvolvimento do processo de individuação (Jung), que é importante para o ser humano. Ou seja, uma vez que o processo de individuar-se, de tornar-se o que a pessoa realmente é, resulta da interação do indivíduo também com o coletivo, quanto melhor essa sintonia com a própria essência, melhor o contato com o mundo ao redor -- e o equilíbrio do ser integral se estabelece.

No seu trabalho clínico, um terapeuta, ao levar em conta o aspecto simbólico da doença orgânica, faz com que seu paciente entre em contato com imagens que emergem de seu inconsciente coletivo e pessoal, criando, deste modo, condições para uma compreensão mais profunda do dinamismo que se encontra alterado. Assim sendo, a relação do paciente com sua doença e recuperação está intimamente ligada ao seu processo simbólico.

Por outro lado, a inconsciência do significado simbólico dos problemas interiores mostra a nossa resistência em lidar com o dinamismo psíquico. Em conseqüência, podemos verificar que o sintoma corporal é um símbolo que expressa uma dissociação e revela um caminho. Depende do ego se ele vai ser compreendido, isto é, se vai ser dado a ele um significado ou se ele vai continuar sendo visto como algo que tem de ser eliminado ou ignorado. Essa eliminação, sem a consciência do significado, traz uma alta probabilidade de um sintoma aparecer e reaparecer, como atestam os inúmeros casos recorrentes de úlceras e doenças cardíacas, entre outros.

De acordo também com Denise Gimenez Ramos:


A bússola do ego em direção à totalidade é dada pelo símbolo. Um desvio de rota também é revelado pelo símbolo e representado, com freqüência, pelo sofrimento. Mas, assim como o símbolo aponta o erro, pelo sofrimento envolvido, também aponta, pela compreensão de seu significado, a correção a ser feita, isto é, o que deve ser sacrificado. Entretanto, simplesmente pela forma com que um símbolo se apresenta (doença ou saúde), não podemos dizer se ele aponta para a necessidade de uma correção ou se revela uma próxima etapa a ser atingida no desenvolvimento normal. Em geral, as intenções se mesclam e de início a consciência não as discrimina.”


De um modo geral, os processos terapêuticos procuram diagnosticar o maior número possível de elementos que restrinjam a resposta natural do ser, desbloquear as suas restrições, encorajá-lo a confrontar seus desafios e desenvolver seus talentos e, em última instância, ajudá-lo a se situar na expressão espontânea de sua energia vital. Nesse sentido, um estudo astrológico (que deve incluir a análise do mapa natal, de progressões e de trânsitos num dado momento) pode ajudar de maneira inestimável um profissional qualificado para tanto; e a defesa deste autor é de que Quíron é muito importante nesse estudo.

2. Quíron, metanóia e consciência


Tendo como referência um enfoque amplo dos ciclos planetários considerados mais importantes (de Saturno a Plutão, passando por Quíron) --, do ponto de vista dos desafios, ou seja, das crises propiciadas pelas quadraturas, oposições e retornos, -- pode-se perceber que ninguém passa incólume por notáveis influências na década dos 40 aos 50 anos, porque então se dá (sempre em termos aproximados):


40 anos = oposição de Urano em trânsito a Urano natal;
42/43 anos = quadratura de Netuno em trânsito com Netuno natal;
44/45 anos = segunda oposição de Saturno em trânsito a Saturno natal;
45/46 anos = quadratura de Plutão em trânsito com Plutão natal...


De um modo geral, pode-se dizer que quem teve ou tiver boas sintonias ao longo dessa década, chegará aos 50 anos sentindo uma espécie de renascimento, que ocorre logo após um dos retornos de Júpiter (aos 48 anos); e é por isso que mais adiante se fala em redirecionamento, que tem a ver com a metanóia citada anteriormente.

E então, é aqui que se pode incluir o desafio de Quíron, cuja órbita se situa a maior parte do tempo entre a de Saturno e a de Urano, constituindo basicamente uma 'ponte' entre ambos e cujo ciclo (retorno) se dá por volta dos 51 anos da pessoa; como sua órbita é bastante excêntrica e segue uma elipse, passa muito mais tempo em alguns signos do que em outros, razão por que suas quadraturas e oposições variam muito em percurso (tempo), dependendo do 'lado' do Zodíaco em que se encontra (mas não se mencionam aqui indicações a respeito delas, porque isso seria muito extenso).

Assim sendo, do ponto de vista da 'cura' do ser humano, a 'chacoalhada' final (esticando aquela década para cerca de 11 anos) se dá com esse Retorno de Quíron. Em seu ótimo livro “Quíron e a jornada em busca da cura”, Melanie Reinhart considera que 'a configuração de Quíron quase sempre descreve o tipo de conexão existente entre o indivíduo e seu sofrimento interno, bem como um caminho passível de levá-lo à cura... e também descreve a natureza da cura que a pessoa pode oferecer aos outros. Essa faculdade é observada quer a pessoa trabalhe ou não profissionalmente no campo da cura, porquanto se trata mais de uma qualidade natural, de uma emanação, do que de uma técnica aprendida'.


Desta forma, Quíron indica o 'curador ferido', a área onde sentimos medo (o que também é representado por Saturno) ou onde sofremos dor ou danos, mas, se processado e compreendido adequadamente, podemos aprender muito com ele: ou seja, para dissolver nossa dor existencial, podemos desenvolver nossa ‘metade superior’ (dharma) à custa da ‘metade inferior’ (karma), o que nos remete à própria imagem de Quíron, cuja metade superior era representada pelo curador sábio, e a metade inferior, pelo animal ferido.


De acordo com Bárbara Hand Clow (ver adiante), o glifo de Quíron parece uma ‘chave’, que pode ser interpretada como a chave para a busca da transmutação / transformação pessoal; e ela expressa que ele é estreitamente ligado com seu meio-irmão Júpiter, o tradicional regente de Sagitário e da Casa Nove – áreas do mapa astral ligadas com buscas de todos os tipos. Por essas razões é que se considera que em sua interpretação básica Quíron pode ser considerado como conferindo significados mais concernidos (e vinculados com o nível espiritual) para o indivíduo, de acordo com sua colocação no mapa natal, em virtude do que este autor defende seu uso nos estudos de orientação vocacional (para jovens, sobretudo em torno de seus 17-18 anos) e redirecionamento de carreiras profissionais.

Por outro lado, é evidente que Quíron, como qualquer corpo ou ponto no mapa natal, percorre por trânsito toda a circunferência, portanto fazendo aspectos diversos com todos os outros corpos e pontos. Assim sendo, ele pode ser levado em conta em qualquer estudo astrológico que analise de forma mais aprofundada os conhecimentos do indivíduo com os significados mais profundos da vida, razão pela qual também deve ser levado em conta nos estudos de saúde, aqui considerada como o equilíbrio dinâmico resultante da sintonia básica do mesmo com o Divino (sua origem e destino como Ser).

 
Assim sendo, é fácil perceber que Quíron está atualmente contribuindo sobremaneira para que as pessoas imprimam um redirecionamento a suas vidas, voltando-se mais para os focos relacionados com o mundo interior, do amadurecimento como indivíduos e seres humanos – e portanto do desenvolvimento (e evolução) de suas consciências. Conforme apontado anteriormente, é natural que se espere mais o que acaba de ser apontado, de pessoas que já tenham passado pelo Retorno de Quíron. Em qualquer caso, entretanto, o potencial do indivíduo deve ser examinado no seu mapa natal e nos trânsitos mencionados, com destaque para a colocação de Quíron (por signo e Casa) e os aspectos que ele tenha com os demais pontos do mapa; e também a progressão por arco solar e o trânsito atualizado (incluindo signo, Casa e aspectos, conforme citado anteriormente): tal estudo, completo, poderá fornecer as diretrizes para a dinâmica do processo supracitado, o qual, em última análise, deve conduzir para a realização do indivíduo como Ser Humano.



 
O POTENCIAL POSITIVO DE QUIRON:


CAMINHO DE EVOLUÇÃO E SABEDORIA
Dale O’Brien

Há inúmeras possibilidades das quais podemos nos valer para tentar entender o papel de Quiron na astrologia. A mitologia é um caminho; a localização celeste de Quiron e sua órbita é outro. Uma terceira alternativa é a exploração dos conceitos culturais que estavam em voga na ocasião da sua descoberta. Por ora, eu gostaria de enfocar a interpretação de Quiron recorrendo ao sentido expandido do mito. Mas eu também vou trazer algumas breves explanações a partir da sua posição celestial.

A prática mais comum na astrologia atual é colocar Quiron como o "curandeiro ferido", baseado numa passagem do mito. À luz deste conceito mitológico, a posição de Quiron no mapa astrológico torna-se vista como uma área onde a pessoa é literal ou simbolicamente ferida. Embora se possa obter significativos insights através da exploração dessa abordagem, muito freqüentemente o cliente pode deduzir que trata-se de uma debilidade sem esperança à mera menção da palavra "ferida". Esta perspectiva é lamentável, já que desnecessariamente limita o potencial humano da pessoa em nome da astrologia. Também distorce o mito tremendamente afirmativo sobre a vida de Quiron. A história mais completa sobre Quiron nos fala de evolução positiva com o triunfo sobre a adversidade.





A NATUREZA MÍTICA DE QUÍRON



Quando examinamos a mitologia de um personagem como Quiron, é importante considerar que a sua história encontra-se disseminada em pedaços, ao longo dos contos de outros seres mitológicos. Também deve-se levar em conta que alguns dos elementos da história de Quiron mencionados aqui podem diferir de outras versões do mito. O resumo breve do mito que se segue está baseado no que mais freqüentemente é mencionado, que são componentes comuns da vida de Quiron na mitologia grega. Infelizmente, visando economizar espaço para o enfoque astrológico, uma abordagem mais colorida, dramática e detalhada da história de Quiron e dos contos envolvendo os heróis a ele relacionados, não pode ser contada aqui.

Quiron foi o primeiro centauro: humano da cintura para cima, eqüino da cintura para baixo. Ele era diferente de todos os outros centauros que eram mortais, e sem relação consangüínea com os mesmos. Dos outros centauros, só Pholus e Nessus são mencionados pelo nome e suas histórias são breves e sem inspiração. Os centauros restantes foram chamados de "centauros selvagens", simplesmente. Eles eram selvagens e violentos, propensos à embriaguez, ao estupro e à destruição - o oposto de Quiron em todos os sentidos possível, excluindo-se a forma física. Às vezes (de uma forma totalmente ilógica), é citado que Quiron era o rei dos centauros. Entretanto, nenhuma interação de Quiron com eles é mencionada para corroborar esta crença. Ao invés de ser o líder de uma quadrilha incontrolável de saqueadores, Quiron era um ser singular e notável.

O centauro mítico Quiron cresceu e desenvolveu-se cercado por uma inicial rejeição parental e discriminação familiar. Ele era o filho bastardo do deus grego imortal, Cronos, e de uma mortal, a ninfa do mar Filira; Zeus era o seu meio-irmão. O deus Apolo e a irmã dele, a deusa Artemis, era os tutores de Quiron. Por causa do treinamento singular e diversificado que recebeu, Quiron era considerado o mais ilustrado professor e médico de uma larga variedade de assuntos, incluindo de tudo, da lógica à música, passando das artes marciais ao conhecimento da natureza, como os usos das ervas. Ele também era descrito como o mais sábio de todos os seres.

A maior parte da longa e extraordinária vida de Quiron foi dedicada à instrução que ministrou a uma série de heróis, como Hércules e outros indivíduos notáveis, incluindo Orfeu e Asclépios. Orfeu tocava uma música tão encantadora que as feras selvagens vinham deitar-se aos seus pés, um feito aparentemente impossível. Asclépios tornou-se um grande curandeiro, a tal ponto que conseguia trazer de volta a vida de um morto.

Quiron viveu uma grande parte da sua vida como um monge solitário e morava na sua caverna no Monte Pélion, na região selvagem do norte da Grécia. Uma vez, durante sua longa vida, ele desposou uma ninfa das águas, Chariclo, e gerou uma filha, conhecida por vários nomes, inclusive Euippe. Chariclo ajudou Quiron a criar pelo menos dois futuros heróis, Jason e Aquiles.

Bem mais tarde na sua vida, Quiron e Hércules assistiam a um banquete de casamento. Os centauros selvagens resolveram perturbar o banquete, se embebedando em vinho e começado por seqüestrar e estuprar as mulheres. Hércules lutou com os centauros selvagens, matando-os com setas que Quiron tinha imergido em um veneno que mataria qualquer ser mortal. Porém, Quiron foi acidentalmente ferido por uma das setas. Por causa da sua linhagem imortal ele não morreu, mas devido ao seu sangue mortal, ele não era imune ao veneno. Então ele desenvolveu uma ferida incurável e um veneno no sangue que ninguém conseguia curar, nem mesmo ele próprio.

Esta ferida acidental conduziu, em última instância, ao sacrifício da sua imortalidade, com a sua descida para o mundo dos criminosos onde ele mudou de lugar com Prometeu. Depois de nove dias, Zeus elevou o seu meio-irmão Quiron do mundo dos criminosos e o transformou na constelação do Centauro. Zeus fez isto em reconhecimento às muitas realizações positivas de Quiron. "Desta posição elevada e visível - disse Zeus - Quiron poderá ser uma inspiração visível para toda humanidade".




IMPLICAÇÕES MITOLÓGICAS




Nota-se que o desenvolvimento de um modo geral positivo da história de Quiron, está em contraste marcante com os trágicos contos desalentadores de mitos de caráter similar, como os de Sísifo e Cassandra. A mitologia do pai voraz Cronos, do namorador Zeus, e do às vezes ignóbil Apolo, oferecem pouco para sugerir um caráter positivo. As histórias dos deuses gregos são freqüentemente tão apenas variações do abuso de posições de privilégio. Muitas vezes mais parecem contos tristes que focalizam futilidades ou perseguições.

O mito de Quiron é inovadoramente diferente. A história dele e as dos seus vários alunos nos mostram que nós podemos crescer acima das adversidades que trazemos para a vida e das circunstâncias difíceis que encontramos no caminho. A importância do aprendizado não é enfatizado como um fim em si mesmo, mas como a condição prévia para a ação apropriada. Até mesmo quando se confronta com situações opressivas, a pessoa pode se elevar a uma posição de grandeza, não apenas por si, mas para o bem dos outros também. Os heróis de Quiron tiveram sucesso onde outros haviam falhado. Quiron era a chave deles para um potencial mais elevado.

Tudo acontecia por um propósito no mito de Quiron e dos seus alunos, até mesmo essas coisas que à primeira vista pareciam sem sentido e cruéis. As peças do quebra-cabeça acabavam se unindo no momento certo e no lugar certo.

Estas implicações mitológicas positivas aparecem freqüentemente na trama do tempo e das circunstâncias, através de situações de auto-engrandecimento, quando os trânsitos de Quiron ou para o Quiron natal estão atuando. Eu observei isto no curso das minhas pesquisas sobre Quiron, envolvendo mais de 1.200 mapas natais precisos. Durante os anos mais recentes na minha atuação como consultor astrológico os clientes vêm compartilhando comigo um saldo bastante positivo das histórias envolvendo Quiron nos seus mapas.

Certos trânsitos críticos de Quíron, aliados a certos trânsitos críticos para Quíron natal, indicam quando e como um indivíduo é desafiado a crescer sobre a adversidade ou mediocridade que cercam a sua vida e a perceber um destino maior envolvendo-o. Por exemplo, o Dalai Lama foi premiado com o Prêmio Nobel da Paz quando Quiron em trânsito estava em conjunção ao Sol dele, em Câncer. Ele poderia ter humildemente aceitado a honra e então meramente voltado à sua existência não-mundana. Recusar o prêmio também era uma outra opção. Num outro nível, reconheceu que um desafio estava sendo feito ao seu ego canceriano não propenso a grandes atenções. Porém, aquele desafio era excedido em valor pela oportunidade que veio com a aceitação do prêmio: "Se eu gosto disto ou não, eu estou neste planeta, e é bem melhor fazer algo para a humanidade" disse o 14º Dalai Lama. Dentro daquele espírito, ele não só aceitou o prêmio, mas também tornou-se uma presença mundana mais visível como líder espiritual e como uma lembrança permanente para os líderes e cidadãos do mundo ocidental sobre o mau trato do governo chinês ao povo do Tibete.

 
Por outro lado, uma pessoa com baixo senso de importância pessoal, poderia ter alguém importante para si - o pai, por exemplo - sofrendo uma enfermidade ou algum revés humilhante. Essa pessoa provavelmente ficará entristecida pelas dificuldades da pessoa querida. Porém, o desafio sob um aspecto de Quiron em trânsito ao Sol é tentar evitar deixar-se levar pela tristeza e desesperança. Isto é particularmente importante para o indivíduo que até aquele momento teve a tendência a ter o princípio solar vivenciado através de outra pessoa. Negativamente trabalhado, isto seria um momento em que uma pessoa fraca se sente ainda mais insegura no nível do ego. Apesar das melhores intenções que possa ter, a observação mais prejudicial que o astrólogo poderia fazer neste momento a um cliente deste tipo seria a lembrança da sua fraqueza.


A alternativa positiva seria colocar as coisas numa perspectiva diferente. A "Oração da Serenidade" (veja abaixo) é talvez uma das formas mais sucintas de trazer uma perspectiva positiva de Quiron para a vida. Dentro do espírito enlevado e positivo de uma oração, o que é que uma pessoa não consegue mudar na sua vida? Normalmente isto pode se vincular ao que aconteceu a outros, como uma enfermidade terminal no pai da pessoa, por exemplo. Mas nestes casos, quais são as coisas que o indivíduo pode mudar? O que pode fazer para reinventar a expressão do seu ego?

Em vez de permitir que as adversidades nas vidas de outros não se tornem uma desculpa para não viver sua própria vida, uma expressão mais confiante no seu próprio ego solar é o caminho a ser buscado pela pessoa. Em lugar de cancelar a peça teatral da sua própria vida, o indivíduo deve afirmar que "A vida se vai, mas o show deve continuar" e dedicar seu desempenho em honra do pai ferido pelo câncer terminal.

Da mesma maneira que Quiron reconhecia o potencial maior de um jovem órfão, que viria depois a ser um rei, ou alguém notável por outra forma, assim o faz o trânsito de Quiron para o Sol, correspondendo a uma oportunidade para o desenvolvimento do ego, apesar de - ou talvez por causa de - mudanças na realidade familiar da pessoa.






PARA MUITO ALÉM DO SOL


Reconhecer o momento em que uma pessoa pode desenvolver mais o seu potencial não é uma questão restringida pelo tipo de aspecto que Quiron forma ao Sol. Qualquer trânsito de/ou/para Quiron, corretamente compreendido, pode indicar o potencial para evolução pessoal positiva. Observe que os processos de Quiron são normalmente sutis e evolucionários, e não se dão usualmente da forma revolucionária ligada às mudanças extremas e radicais associadas a Urano. Urano pode apreciar violar as regras e limites de Saturno, mas Quiron não faz isso.

Astronomicamente, Quiron geralmente é encontrado além da órbita de Saturno, no trans-saturnino reino dos planetas exteriores. Porém, a proximidade de Quiron para a órbita de Saturno, e mais o fato de que ocasionalmente penetra dentro da órbita de Saturno, nos fala que Quiron é literal e simbolicamente a ponte entre o mundo transpessoal e a nossa realidade concreta. Movendo-se para além do saturnino reino da realidade consensual, nós o encontramos numa posição onde estas alternativas são consideradas.

Entre a imutável e familiar estrada principal trilhada por Saturno, e a estrada de Urano onde nada é sempre o mesmo, eis a via Quiron, uma estrada menos viajada. Esta estrada pode parecer por vezes que nos leva para longe de onde nós pensamos que deveríamos ir, mas isso não precisa produzir um rastro de lágrimas. Este caminho pode nos fazer lembrar de nossa sabedoria quase esquecida, e ainda, no final, também pode ser nosso caminho para o nosso destino e para um propósito especial na vida. É uma boa estrada a ser percorrida e conhecida.





A ORAÇÃO DA SERENIDADE


A Oração da Serenidade é talvez a afirmação mais sucinta para uma perspectiva positiva de Quiron na vida. Coloco o planeta associado a cada frase entre parêntesis:

"Senhor, me conceda a Coragem para mudar
as coisas que eu posso mudar, (Urano)
A Serenidade para aceitar
as coisas que eu não posso mudar, (Saturno)
E a Sabedoria para saber discernir a diferença". (Quiron)




*Não há consenso em relação ao signo que rege, alguns acreditam ser Sagitário, enquanto outros acreditam ser Virgem, e ainda Escorpião. Observe que a órbita de Quiron se encontra entre os caminhos de Saturno e Urano.



É o salto!
 
E para finalizar, o Retorno de Quíron se dá entre 49 e 51 anos (ver no Mapa Anual).

Mas, sem dúvida, é um grande Retorno.
Em geral, é quando descobrimos nosso “Dom”.
Como de fato somos capaz de curar.
Muitas das vezes, as pessoas ficam esperando...
Satisfazer os egos...
O que não sabem é que se pode curar aos outros de inúmeras maneiras.
Nem sempre é com algum método de cura.
Inclusive com a própria presença.
As vezes, com as suas palavras.
Ou com os seus pensamentos.
Simples assim.

Com Amor e Carinho.
Martha Cibelli







 










Obviamente nem todo mundo que tiver Quiron em trânsito de conjunção ao Sol será convidado para receber o Prêmio Nobel. O que uma determinada pessoa terá em comum com as circunstâncias que envolveram o Dalai Lama será um desafio diferente para si, consoante com seu próprio universo e importância individual. Alguém com exaltação de ego pode ter alguma experiência de humilhação, como uma enfermidade ou a perda de um trabalho, para citar apenas duas possibilidades. (A posição do Sol da pessoa segundo a casa, aspectos e outros fatores, podem sugerir o modelo provável de expressão do trânsito).

De outro ponto de vista, em se levando em conta a dinâmica representada na Astrologia pelas progressões e trânsitos, conforme expressa Bárbara Hand Clow, 'os trânsitos planetários são uma oportunidade de acelerar as vibrações com o crescimento. É nossa resposta celular à própria vida e, se conseguimos evitar o trabalho de um dos trânsitos, começamos a morrer naquele ponto' Segundo ela, o primeiro retorno de Saturno dinamiza uma ‘crise física’; a oposição de Urano em trânsito com Urano natal, uma ‘crise emocional’. E o retorno de Quíron, a ‘crise da consciência’, o que confere um significado especial para esse retorno e a época correspondente, na vida das pessoas.


É importante destacar ainda que, sendo o tempo orbital de Quíron nos signos bastante variável, e estando ele atualmente no signo de Aquário, começou recentemente a percorrer a parte mais longa daquele tempo orbital (que é completado por Peixes, Áries e Touro: ele entrará em Gêmeos somente em maio/2034, o que significa que estará ocupando de Aquário a Touro durante 29 anos, ou seja, nos quatro signos em questão ele estará demorando cerca de 56% do total de seu tempo orbital). Além disso, é mais importante ainda ressaltar que, estando o Ascendente do mapa da descoberta de Quíron a 26°04’ de Sagitário, está ele em conjunção com o centro de nossa galáxia (atualmente a 26°56’), e que Plutão atingiu esse grau (26° de Sagitário) em fevereiro deste ano (2006), o que nos permite interpretar que o poder transformativo representado por Plutão atualmente está transmitindo um influxo especial para Quíron, conferindo a este um maior poder de transformação (vale lembrar que Plutão entrará em Capricórnio somente em janeiro/08). Para enriquecer ainda mais esses significados, destaca-se que o símbolo sabiano para a posição de Quíron no mapa de sua descoberta (a 03°09’ de Touro) menciona ‘o pote de ouro no fim do arco-íris’; Dane Rudhyar dá a chave para esse significado, como a plenitude que flui da conexão com a natureza celestial (ou divina), e sugere que aponta para algum tipo de transubstanciação da matéria.




















































6 comentários:

  1. Um dos textos mais completos de Quíron que já li.

    Paz e Luz.

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  2. Muito obrigada por este comentário, antes de tudo, tão estimulante e animador.

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  3. Eu achava que era ruim ter Quíron retógrado, mas seu artigo explicou muito bem sobre tudo...no final fiquei feliz por ele ser assim. xD

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  4. Texto muito completo! ajudou-me bastante. Obrigada.
    Namastê

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  5. Quiron em peixes na casa 2 é ruim?

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  6. Encantada com este verdadeiro tratado sobre Quiron. Estou no retorno, tenho Quiron natal a 3º de Peixes na casa 6.

    Gratidão!
    _/\_

    Lilian

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